Atividades Semanais

O inconsciente é a política: conversa com-texto

O inconsciente é a política: conversa com-texto
6º. Encontro – setembro/2020

CHAMADA 1

Caros colegas,

Devido às disponibilidades de agenda da escola, nosso próximo encontro será no dia 26 de setembro, sábado, sempre no mesmo horário de 10.30h.

Mais próximo à data, enviarei uma nova chamada, mas, desde já, um lembrete e um convite:

Lembrete com-texto: Estamos trabalhando no livro de Zizek – Eles não sabem o que fazem, o sublime objeto da ideologia – capítulo 3, especialmente os itens “A lei é a lei” (p.63), ao “Narcisismo patológico” (p. 70). Nosso objetivo é chegar ao grafo do desejo, no capítulo 5, no qual se desenha com exatidão a noção de dimensão/dit-mansion que é o surporte que nos orienta na leitura da máxima de Lacan “o inconsciente é a política”;

E o convite contexto: venho abrindo nossos encontros com um brevíssimo levantamento do que se passou no panorama da política, no Brasil e no mundo, a partir do próximo encontro convido vocês a trazerem também suas observações nesse sentido. Espero, então, que tragam sua lista para nossa conversa.

A contextualização do trabalho funda suas raízes no campo do atual, o atual é o que se escreve em superfície – ‘só existe o atual’, diz Lacan nalgum momento. Ora, entendemos que isso é um modo rigoroso de lembrar Freud quando diz, por exemplo, que ‘nada pode ser morto in absentia ou in efigie’. O trabalho da transferência será atualizar o que resta nas sombras da memória inconsciente.

Já a dimensão política contempla o que existe, campo da realidade sempre fantasmática, o que ex-siste, dimensão do real, e o que insiste. Hoje, diante da ameaça, concreta e diária, do fascismo, há que trabalhar também com o que resiste. Se, em uma análise, a resistência está do lado do analista, o que vem a ser a boa resistência? A que joga a favor do desejo do sujeito, sem dúvida. A que trabalha contra o esquecimento, contra o desânimo e a depressão.

            Dia desses me deparei com um texto interessante e, nele, uma citação de Sartre. Diz o texto: “Em um artigo publicado em 1944, A república do silêncio, Sartre escreveu que os franceses nunca foram tão livres quanto no tempo da ocupação alemã. Um chocante e brilhante paradoxo […] Por que os franceses eram livres se todos os direitos haviam sido aniquilados pelos alemães e não havia qualquer liberdade de expressão? […] Porque, dizia Sartre,

cada gesto era um compromisso. A resistência significava uma escolha e, pois, um exercício de liberdade. Significava não renunciar à construção de sua própria existência quando os invasores queriam moldá-la, reduzindo-a a objeto passivo e sem forma”[1]

Até breve, um abraço,

elisa arreguy maia/10-09-2020.

P.S. Em conformidade com a orientação da escola, peço que os colegas se inscrevam para frequentar o seminário, comigo – earreguy@gmail.com, ou com a Rute nossa secretária (aleph.psicanalise@gmail.com).

P.S.2 Aqueles que quiserem frequentar pela primeira vez, entrem em contato comigo para agendarmos uma breve conversa para a inscrição.

 eam.

[1] Márcio Sotelo Felippe. A liberdade em tempos sombrios. In: justificando.com (18 de março de 2017).