Atividades Semanais

Seminário de Leitura de Freud

Ainda da lição de 20 de janeiro de 1971, recortamos em Lacan sua referência  ao que a teoria enuncia sobre o gozo sexual:

 “…o mais-de-gozar não se normaliza a não ser numa relação que se estabelece no gozo sexual. À condição que esse gozo sexual, não se formule, não se articule senão ao falo, enquanto ele é seu significante […]  …a crise, a verdade à qual não há um desses jovens seres falantes que não lhe tenha que fazer face, é que há aqueles que não o têm…Dupla intrusão na falta, porque há aqueles que não o têm e, depois, esta verdade escapava até o momento. A identificação sexual não consiste em acreditar-se homem ou mulher, mas, para os meninos, em se dar conta de que há mulheres e para a menina, de que há homens.”

Seguimos rastreando em Freud o que a teoria enuncia sobre o gozo sexual. O recorte que trazemos nesta chamada, foi extraído de um texto de 1923, e já mostra a teoria profundamente modificada, se comparada, e ele ali o faz, ao enunciado nos Três Ensaios sobre a teoria da sexualidade,  de 1905. São traços, relações e características que lhe vêm de encontro, ‘de maneira inequívoca’, diz ele, a partir da experiência e de observações por décadas:

Freud, A Organização Genital Infantil – Uma interpolação na teoria sexual. 1923. ESB vol. XXII

Par. 4 – Hoje não mais me satisfaria com a afirmação de que, no primeiro período da infância, a primazia dos órgãos genitais só foi efetuada muito incompletamente ou não o foi de modo algum. A aproximação da vida sexual da criança à do adulto vai muito além e não se limita unicamente ao surgimento da escolha de um objeto. Mesmo não se realizando uma combinação adequada dos instintos parciais sob a primazia dos órgãos genitais, no auge do curso do desenvolvimento da sexualidade infantil, o interesse nos genitais e em sua atividade adquire uma significação dominante, que está pouco aquém da alcançada na maturidade. Ao mesmo tempo, a característica principal dessa ‘organização genital infantil’ é sua diferença da organização genital final do adulto. Ela consiste no fato de, para ambos os sexos, entrar em consideração apenas um órgão genital, ou seja, o masculino. O que está presente, portanto, não é uma primazia dos órgãos genitais, mas uma primazia do falo.

Em nosso próximo encontro, nesta quinta, dia 23, queremos seguir a elaboração de Freud nesse momento da teoria, privilegiando aí a questão da mulher. As sugestões de leitura são: Sobre a sexualidade feminina de 1931 (ESB, vol. XXI) e A feminilidade, de 1933 (ESB, vol. XXII). Contamos com vocês.

Ana Portugal (colaboradora)

Cristina Holzinger

Daniel Martins

Leila Mariné