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Circuito de Investigação: Psicanálise: Criança e Adolescente

CIRCUITO DE INVESTIGAÇÃO
PSICANÁLISE: CRIANÇA E ADOLESCENTE

Iniciamos nosso primeiro seminário no Aleph em 10 de março de 2020, com a leitura do capítulo XV do Seminário 1 de Lacan, “O núcleo do Recalque”. (Os escritos técnicos de Freud, 1954-54). Foi sugerido o filme “Cafarnaum”, da cineasta libanesa Nadine Labaki, que testemunha a função do desejo em um menino de 12 anos que se rebela contra a vida que lhe foi imposta. O filme está disponível no Streaming Google Play ou no Youtube.

Ressalta-se que o ponto de investigação do nosso trabalho este ano é a lógica da constituição do sujeito em conexão com o tema da jornada: “A sombra do trauma e a identificação”. Em nossa primeira leitura do texto citado levantamos as balizas da constituição do sujeito: O Outro, o objeto a, a palavra e o tempo.

– Por que a aproximação do filme com a psicanálise?

Cafarnaum – expressão que pode ser traduzida, literalmente, como ‘caos’ – é tal qual o seu título anuncia: caótico. Afinal, é isso que o filme Cafarnaum mostra: o caos. O filme conta a história de uma criança – Zain, que se comporta como adulto devido ao sofrimento que passou: abandono familiar, violência, abuso sexual e outras tantas questões que provocam indignação. Ele acaba por ser levado à justiça por violência. Tenta matar o marido abusivo de sua irmã de 11 anos por achar que o cunhado foi responsável pela morte dela, devido a uma gravidez precoce. Ele grita ao ser questionado pelo juiz se sabia o que tinha feito. Sim, sei o que fiz. Tentei matar um filho da mãe.  Denso e cheio de situações que nos fazem pensar na vida de milhares de crianças ao redor do mundo, Cafarnaum é uma obra sobre realidades trágicas, que podem mudar quando a situação desses indivíduos é reconhecida e eles encontram a oportunidade para combatê-las, começando com o reconhecimento de si mesmos como cidadãos. A miséria social tem consequências. Falta, às pessoas, a autorização que as oficialize como tais. As exigências que a vida lhe faz desde cedo, trazem a Zain uma maturidade precoce. Um ponto relevante foi à maneira como o garoto chegou ao Tribunal, processando os pais. O garoto decide entrar nos tribunais com um processo acusando-os do “crime” de lhe dar a vida.  Ao ser questionado sobre os motivos do processo ele responde, sem hesitar, que a culpa deles é a de o terem colocado no mundo.  Ele questiona o lugar dado aos filhos por esses pais. Esta criança não tinha nenhum documento que comprovasse sua existência, não tinha documento que comprovasse ser filho desses pais. Este processo lhe permitiu a palavra. Lacan afirma que o desejo precisa ter a conjunção da palavra. “A palavra do sujeito. [1] ”, Ao ser interrogado pelo juiz, Zain constrói um pronunciamento tentando fazer uma conjunção desejo-palavra e ,assim, tomar a palavra de seu viver. Nesse vai e vem, ao final do filme, vemos um sorriso diante da autorização de que teria seu DOCUMENTO DE IDENTIDADE.  “O desejo do sujeito está ali, na situação, ao mesmo tempo presente e inexprimível. Nomeá-lo é ao que deve se limitar a intervenção…” [2]

[1] Lacan,J. O Seminário: livro 1: os escritos técnicos de Freud, 1953-1954. 3ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor
[2] Lacan,J. O Seminário: livro 1: os escritos técnicos de Freud, 1953-1954. 3ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor

Coordenação:
Gêisa de Carvalho Silva Ferreira,Heloísa Godoy, Joaquim Lavarini, Silvia G. Myssior

 


 

“A prática da psicanálise reafirma o lugar da criança no discurso
analítico: do que se trata é de escutar o sujeito do inconsciente”.
“Cadernos”, v.6, Aleph – Escola de Psicanálise, 2012.

 

O tratamento psicanalítico com a criança e o adolescente, assim como sua transmissão, desafiam o analista. Há infância; há neurose infantil. Freud não cedeu em diferenciar a neurose infantil como montagem da estrutura, do que ele chama de “neurose da infância”. Neurose infantil e realidade psíquica participam do mesmo tecido e estão diretamente relacionados à constituição do sujeito.

Nossa proposta, em 2020, é trabalhar a lógica da constituição do Sujeito, em conexão com o tema da Jornada – A sombra do trauma e a Identificação – sob a forma de seminário, que inclui estudo, pesquisa e debate.

Serão três os vetores de trabalho, referenciados em Freud e Lacan:

– O sujeito e o Outro/Trauma;

– Identificação;

– Édipo

Frequência: quinzenal, às terças-feiras.

Horário: 10:30 h às 12:00 h

Local: Sede do Aleph

Datas: 10 e 24 mar; 07 e 28 abr; 12 e 26 maio; 09 e 23 jun; 04 e 18 ago; 01 e 15 set; 13 e 27 out.

Convidamos aos que se interessam pela proposta a participarem deste seminário, trazendo suas contribuições!

COORDENAÇÃO AMPLIADA

Gêisa Ferreira

Heloisa Godoy

Joaquim Lavarini

Silvia G. Myssior