Comissões . Comissão de Publicação

A escrita que concerne à Psicanálise aborda um ponto de real extraindo algo do impossível. Assim, pontos de um saber não todo se fazem a-bordar nos trilhamentos dessa escrita, que, para além da elaboração de pedaços de saber, traz em seu cerne a transmissão de uma falta.

A publicação disso que assim se escreve confirma o impossível, atesta um saber específico que não se fecha, relançando-se a cada vez como causa de trabalho. Dessa maneira, no ato de publicar Psicanálise, atualiza-se o fazer Escola.

“Ao decidir circular uma Publicação, uma Escola de Psicanálise busca escrever um ponto de articulação do discurso analítico com a extensão. Um compromisso com os efeitos da Psicanálise no mundo.” (Godoy .H. Transfinitos 3)

É um compromisso com uma lógica de transmissão que não tampona a incompletude do saber, ao mesmo tempo que não recua em relação ao rigor de um trabalho de elaboração.

Freud, no texto “Moisés e o Monoteísmo”, escreveu: “o poder criativo de um autor nem sempre obedece à sua vontade: o trabalho avança como pode e com frequência se apresenta a ele como algo independente ou até mesmo estranho”. Não estaria aqui ressaltado o ponto de impossível que uma escrita aborda e a pulsação de uma causa que seria mesmo a sua essência?

Assim, os vetores de uma Publicação em uma Escola de Psicanálise talvez possam tomar como direção, a pulsação daquilo que, como causa, sustenta o ato de escrever.

Freud afirma que não é suficiente constatar o caráter insólito de um acontecimento; é necessário retomá-lo pela via de um escrito. É preciso inventar os trilhamentos para que algo dos efeitos da experiência analítica possa se escrever no mundo e, assim, contribuir para a constante e necessária reinvenção do ato inaugurado pelo desejo freudiano de transmissão.

Comissão de Publicação
Gêisa de Carvalho Silva Ferreira
Maria Inez F. L. de Figueiredo
Sandra de Faria Pujoni