Eventos . JORNADA ALEPH

BH, 05/02/2020

BH, 05/02/2020

Caros colegas,

em nossa primeira reunião para colhermos os efeitos do trabalho da Jornada sobre “A agressividade e seus destinos” ocorreu, de início, menções à Transfinito No 0. No  final da reunião levantou-se o fato de que o Aleph já havia feito uma Jornada com o tema da identificação.  E que inclusive havia escritos sobre esse tema já publicados pelo Aleph.

Entendemos que esse fato, em vez de ser um impedimento para que façamos uma outra Jornada,  na verdade era uma oportunidade, também, de sermos leitores dos escritos publicados pelo Aleph.

Iniciamos nosso trabalho com a leitura da tradução do capítulo 7 do texto freudiano ” Psicologia das massas e análise do eu”, feita por Ana Maria Portugal  e do texto ” Sobre a identificação ” escrito por Leila Mariné. Tanto a tradução quanto o texto da Leila encontram-se em Transfinito No 0.

Nesse ínterim fomos lembrados pela colega Heloisa que a Transfinito No 01 publicou textos importantes sobre o tema da identificação.

Em Transfinito No 01, “Identificação e Angústia “, encontramos os seguintes textos:

– “Falo e identificação: fragmentos da clínica de Freud”

. Ana Maria Portugal

. Elisa Arreguy Maia

. Graça Curi

. Jeanne D’Arc Carvalho

. Lícia Mara Dias

. Tânia Ferreira

 

– “Identificação e Corte”

. Margarida Maria Chaves

. Maria Regina Cardoso

 

– “A lógica da identificação em Freud”

. Lícia Mara Dias

 

– “Amor a meio caminho”

. Maria Elizabeth Timponi

 

– “O traço e a identificação entre os analistas”

. Maria Inês Lodi

 

Tivemos então a seguinte ideia: iríamos reler os textos e cada membro da Comissão faria uma resenha de um deles, no intuito de atualizá-lo para a Escola. O primeiro efeito que colhemos foi a constatação de que o tempo é lógico e não prosseguido como cronológico. Os escritos psicanalíticos mantêm-se no atual.

Sendo assim iniciaremos aqui, no Cartas ao Outro, o compartilhamento dessas resenhas, iniciando  pelos textos acima mencionados.

Queremos com isso estender o convite a cada um  dos membros  da Escola para trazerem a este espaço, resenhas de outros textos das Transfinitos e dos Cadernos, caso queiram, para também serem aqui compartilhados.

Iniciaremos a série com a resenha feita por nossa colega Vanda Pignataro a partir da leitura do texto  “A lógica da identificação em Freud” de Lícia Mara Dias.

Abraços,

Comissão da XXV Jornada do Aleph – Escola de Psicanálise

 

 

 

Prezados colegas,

segue aí um resumo simples, mas um convite (Resenha) entusiasmado para prosseguirmos nesse tema  tão difícil de articular que nomeia nossa XXV  Jornada  do Aleph.

Na revista Transfinitos nº 01 , Lícia Mara Dias, em seu texto “A lógica da identificação em Freud”, traz de forma cristalina um robusto percurso em vários textos freudianos sobre a operação da identificação como fundante da constituição do sujeito.

Constata esse fenômeno como presente nas várias estruturas clínicas, destacando por exemplo, como que na condição melancólica, uma instalação radical da identificação impede a  emergência da condição do objeto enquanto perdido, comprometendo o trabalho de substituição simbólica.

Destaca também, como, a partir de 1920, há uma mudança no trilhamento da teoria freudiana, na qual o princípio de ligação (Bindung) marca a operação primeira do aparelho  para dominar a excitação pulsional, ligando-a a uma representação. Acentua aí, com o acento agudo necessário, que trata-se de uma operação lógica e não cronológica, em que “se demarca  um campo de (in)diferenciação,  no qual o sujeito da linguagem pode vir a se constituir”. A “marca” da percepção que chega primordialmente  do campo do Outro, chega como invasão (trauma?) de estímulos ao aparelho incipiente; marca essa que sinaliza que houve percepção e em um mesmo movimento funda o lugar do inconsciente  como lugar de diferenciação,  que ao incluir a ausência, provê a possibilidade de pensar.

O recurso seguinte, de procurar substitutos, faz com que se tome um traço daquele que foi objeto da pulsão, resolvendo-se como identificação ligada ao significante. Essa operação de eleição de um traço único do objeto ordena o lugar do sujeito no simbólico. O outro momento lógico da operação será aquele no qual o sujeito assume um sintoma do outro e sinaliza o campo do desejo em sua estrutura de falta. O que a identificação traz para o desamparo é a chance do sujeito se fazer representar pelo significante.

Buscar a exatidão na lógica da identificação é fazer valer o princípio de ligação do aparelho, reiterando a ideia inicial de Freud de que a identificação é uma “modalidade de pensar.”

Lícia faz um escrito  instigante, que enriquece a teorização freudiana, deixa passar um trabalho  de enorme afinidade àquele texto  e que nos convida a mais de uma leitura,  prazerosa e atenta.

 

 

Vanda Pignataro