“Os cartéis podem engajar a Escola em vias que não são da suficiência, da comunhão tácita e do conformismo, e constituir um meio de formação e um outro tipo de laço social?”
[In Transcrição das discussões das Jornadas sobre Cartéis (abril/1975), publicada em Lettres de L’École Freudienne de Paris, n. 18 – 1976]
Apresentado por Jacques Lacan como dispositivo, no ato de fundação da Escola Freudiana de Paris, o cartel foi imaginado como peça de articulação de todos os momentos de trabalho na Escola. Alguns anos depois, teve sua formalização aprimorada como órgão de base a partir do qual quatro se escolhem para empreender um trabalho que deva ser próprio a cada um e não coletivo.
A estrutura de cartel, com sua configuração descentralizada, representa uma abordagem inovadora para a produção e transmissão do saber psicanalítico. Como dispositivo de Escola, promove deslocamentos e abertura ao singular de cada cartelizante, subvertendo a dinâmica de grupo, mantendo viva a Psicanálise e reafirmando a lógica do nãotodo. A função do +1 é essencial para possibilitar o enodamento do cartel. Na medida em que o nó é a presentificação de um furo central, o +1 irá remeter ao furo do saber e a partir daí suportar a transferência de trabalho.
O funcionamento do dispositivo de cartel tem início com a inscrição na lista “Procura-se Cartel”, que organiza temas ou significantes deles extraídos. Com o registro nessa lista, o trabalho do cartel se inscreve na lógica da Escola. A inscrição pode ser feita por e-mail enviado à Comissão de Cartel (cartel.aleph.psicanalise@gmail.com), contendo: tema proposto, nome completo, telefone e endereço de e-mail. Assim será incluído na lista “Procura-se Cartel”, permanecendo até que haja um número mínimo de inscritos ou por um período máximo de um ano. Com três
inscritos, a Comissão de Cartel intermediará um primeiro contato para que as pessoas se reúnam e escolham alguém para a função de +1. O registro do cartel na Escola será realizado pelo +1, passando assim a constar na lista de “Cartéis Inscritos”. Lembramos que qualquer dissolução de cartel também deve ser informada, pelo +1, à Comissão de Cartel.
A Comissão de Cartel integra o trabalho de Acolhimento da Escola, em parceria com a Coordenação de Acolhimento e a Comissão de Ensino. Trata-se, na função Acolhimento, do trabalho de apresentação da política de formação permanente da Escola e de interrogação dos que a ela se dirigem, acerca de seu percurso e de seu desejo, tendo em vista a transferência à causa analítica.
Em 2025, foi realizada a II Jornada de Dispositivos, um evento que trouxe efeitos importantes para mantermo-nos atentos à política de Escola. Para o início do segundo semestre de 2026, a Comissão de Cartel continuará trabalhando junto à Comissão de Passe na organização da III Jornada de Dispositivos, dando continuidade ao trabalho de repensar a Escola.
Comissão de Cartel
Ana Patrícia Brazil
Bruno Curcino Hanke
Mauro Cordeiro Andrade
Valéria Brasil