Comissões . Comissão de Ensino

[…] Dou a isso uma reflexão, balística, entendam-na, ao me espantar de que a todo instante tenha parecido evidente que o ensino era a transmissão de um saber, tomando-se por horizonte o pêndulo que vai e vem entre aquele que ensina e o ensinado: a relação entre eles – por que não? – é o barco que convém, ao encontrar, na grande feira de nossa época, seu impulso, não mais disparatada do que a relação médico-paciente, por exemplo.
LACAN, J., Alocução sobre o ensino, 1970)

 

De um ensino, não significa que dele resulte um saber. Lacan é enfático ao desmontar a premissa de que “o ensino é a transmissão de um saber”. Trata-se de um questionamento que tem nos colocado a trabalho e vem desafiando a Escola a encontrar uma lógica que faça valer o peso e a especificidade de cada um destes termos: ensino, saber e transmissão.

Baseando-se nesse desafio, a política de ensino, no Aleph, aposta em uma formação permanente. Essa formação encontra na superfície de um circuito moebiano seu modo de funcionamento. Cada um, ao se registrar na Escola, tem sua participação franqueada aos espaços do Circuito – Leitura, Fundamentos e Investigação – e, a seu tempo, cada um é convocado a participar do que vai sendo trabalhado, relançado, revisitado.

Neste ano, o Aleph dá continuidade à leitura do Seminário, livro 18, “De um discurso que não seria do semblant” de J. Lacan (1971), cujo tema enlaça o trabalho nos espaços do Circuito.

Além disso, essa comissão propõe alguns “Encontros de Escola”, em que os conceitos e dispositivos que dão suporte a uma Escola de Psicanálise serão enfocados. Em uma discussão atualizada sobre o ensino, a transmissão e o “fazer Escola”. Esses encontros se endereçam tanto aos que se aproximam dela neste momento, quanto àqueles que hoje se ocupam em construí-la.

Comissão de Ensino:
Bethânia Pena
Lícia Dias
Valéria Brasil