Tutameia*
lerouvirinvestigar
esperar pelas palavras até que
não cheguem
até que terminem de finalmente não
chegar
Ana Martins Marques
Tutameia. Palavra roseana, vocábulo mágico de um quase nada. Espaço de investigações sobre algumas escritas.
O que algumas escritas ensinam a psicanálise? O que a psicanálise pode dizer do que se escreve?
Freud em seu ensaio “O Poeta e o Fantasiar” refere-se ao trabalho do Dichter – escritor, poeta, literato, autor – como uma produção de imagens e cenas. O poeta, sonhador, em plena luz do dia faz da fantasia escrita. O poeta é um fazedor (Belisário, 2025).
Borges em seu conto, “ O Fazedor”, em plena sombra escura da sua cegueira, aborda o ponto instante da criação poética. Ele escreve: “Descendeu então a sua memória, que lhe pareceu interminável, e conseguiu extrair daquela vertigem a lembrança perdida que reluziu feito a moeda sob a chuva, talvez porque nunca a tivesse olhado, a não ser, talvez, em um sonho. ” “(..) a escrita do poema constitui o dizer menos tolo?”A questão colocada por Lacan no Posfácio ao Seminário 11 , localiza a criação poética como um modo de operação que deslizando no passo de sentido, ensina.
A poesia é uma experiência sensorial, solitária na escrita, arriscada na leitura e marcada pela irrupção de lalangue. Uma fagulha.
Trata-se sempre de um saber fazer com o impossível, com o não – todo. Marca de uma experiência do real na linguagem.
A poesia é um saber fazer com lalangue.
Seguiremos trabalhando algumas escritas e investigando os pontos de convergência e separação dessas duas práticas da letra, a psicanálise e a literatura.
As datas e as leituras escolhidas serão posteriormente divulgadas.
Coordenação
Cristina Holzinger
Flávia Coutinho
Graça Curi
Mônica Belisário
Mônica Brandão
Paula Stronzenberg
Vanda Pignataro